quanto o bocal deve ser coberto, uma vez que cada flauta possui uma característica
diferente, com bocais de tamanhos e formatos diferentes. Podemos somente
afirmar que não devemos cobrir demasiadamente o bocal pois isso causaria um som
de pouca densidade e sem projeção. Como regra geral, poderíamos cobrir 1/3 do
bocal para as notas mais graves e chegar a pouco mais da metade do bocal sendo
coberto pelo lábio para as notas mais agudas (conforme ilustração). Esta
observação é de extrema importância pois o posicionamento incorreto do lábio no
bocal pode prejudicar não só a emissão do som, a intensidade e o timbre, mas
também a afinação dos intervalos. Além disso, é a partir da correta posição do lábio
em relação ao bocal que o instrumentista pode realizar uma das tarefas mais difíceis
no que diz respeito à produção do som e sua expressividade.
Conforme vimos, a pressão da
coluna de ar está diretamente
relacionada à afinação de uma
determinada nota e também à sua
intensidade. E, no caso da flauta, essa
é uma grandeza proporcional, ou seja,
quanto maior a pressão na coluna de ar,
mais intenso e mais agudo é o som e
vice-versa. Considerando-se esta
propriedade e levando-se em conta uma
particularidade do instrumento no que
diz respeito à sua construção, nos deparamos com um grave problema. A flauta, de
maneira geral, tem uma grande tendência de ter suas notas agudas muito “altas” em
relação à freqüência desejada e, em contrapartida, suas notas mais graves têm
tendência de serem mais “baixas”. Além disso, algumas notas em particular têm
tendências opostas em relação à tessitura em que estão: ou seja, podemos ter uma
determinada nota na região aguda e que soará “baixa”; e o oposto também acontece
com notas dos registros médio e grave.
Com a correta colocação do lábio sobre o bocal,
podemos movê-lo para frente ou para trás, dependendo
do tipo de ajuste necessário que uma determinada nota
exige. Também, cobrindo-se pouco mais de 1/3 do
bocal, é possível deslocar o lábio superior para frente ou
para trás, com o propósito de alterar o ângulo de
incidência da coluna de ar na parede do bocal, ou seja,
dirigindo a coluna de ar mais para dentro ou mais para
fora do instrumento, dependendo da necessidade em se corrigir a emissão da nota
ou outros fatores como sua intensidade. Por exemplo, uma nota aguda como o
que exige uma pressão na coluna de ar relativamente grande, mas que por natureza
é uma nota cuja tendência de afinação é ser muito “alta”. Portanto não pode ser
tocada com uma embocadura normal. Devemos projetar o lábio superior para a
frente, cobrindo pouco mais da metade do bocal e manter o lábio inferior somente à
1/3 do bocal (ver ilustração: como o lábio inferior está sendo coberto pelo lábio
superior, não podemos vê-lo). Com esse tipo de ajuste, temos então a coluna de ar
direcionada mais para dentro do bocal, o que provoca a diminuição da freqüência da
nota (“abaixando-a”). Entretanto, precisamos compensar a queda na pressão daG5,
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